Psicologia positiva e a ciência da felicidade: as respostas científicas sobre a pergunta humana mais importante

A busca pela felicidade é universal. E a quantidade de livros sobre o tema já comprova que existe uma curiosidade intensa sobre o tema, mas o que a ciência tem a dizer sobre isso?

Neste artigo nós falamos sobre as duas principais abordagens da psicologia que tratam de identificar os ingredientes básicos da felicidade: a psicologia positiva e a ciência da felicidade.

Eis o que nós vamos ver no texto:

Vamos lá?

Origem da Psicologia Positiva e dos estudos a respeito da felicidade

Muitas pessoas estão começando a ouvir falar sobre a psicologia positiva, seus conceitos e o modo como ela está mudando a vida de muitos para melhor a partir de seus ensinamentos e práticas. Ela parte de princípios da psicologia porém com um foco diferente.

Ao longo de sua história é possível observar claramente que o principal foco da psicologia, e de todos tipos de estudos relacionados à mente humana, foi o combate às mazelas e doenças mentais. Em sua maioria, as investigações foram realizadas acerca dos fatores que causavam os prejuízos à saúde mental.

Assim, enquanto ciência, a psicologia tem dado grande contribuição para a humanidade, porém também tem demonstrado suas limitações. Afinal, ausência de problemas mentais não equivale a uma vida plena e cheia de bem-estar.

Levando isso em conta, o psicólogo americano Martin Seligman tentou buscar algo além. Ele acredita que levar as pessoas a um ponto neutro, ou seja, de ausência de doenças mentais era insuficiente e que a psicologia poderia contribuir muito mais.

O foco da psicologia positiva

A partir daí ele criou a psicologia positiva. Essa nova linha de trabalho da psicologia trás um novo olhar a respeito das relações humanas, da condição do ser humano e também da felicidade.

Ela se propõe a lidar com um aspecto diferente da mente humana. O foco são as coisas positivas da vida. Assim, ela busca responder perguntas como:

  • Como contribuir para a melhoria do bem-estar das pessoas?
  • Quais são as coisas boas a respeito da vida que promovem mais nível de plenitude?
  • Qual o papel das emoções positivas no bem-estar de alguém?

Essas perguntas tem sido abordadas de uma diversidade gigantesca de práticas e tem ganhado cada vez mais importância e gerado a popularização de literatura de autoajuda, filosofia e religião. Afinal, a principal busca humana é a busca pela felicidade. Mas, se na internet e nas livrarias, milhares de “gurus” apresentam fórmulas, técnicas e remédios diferentes para a miséria humana, como podemos descobrir quais remédios dão certo?

Precisamos consultar um maior de todos os gurus, o método científico.

O que é a Psicologia Positiva? O que é a ciência da felicidade?

A busca por respostas filosóficas sobre a felicidade começou na China, Índia e Grécia cerca de 2.500 anos atrás com Confúcio, Buda, Sócrates e Aristóteles, e podemos encontrar semelhanças notáveis entre as percepções desses pensadores e a da ciência atual.

Dentro de uma abordagem científica moderna, a “ciência da felicidade” tem se focado no tema e esses estudos sobre a felicidade surgiram com mais força nas últimas décadas do século XX. O aumento dramático em estudos científicos sobre a psicologia positiva também agregam muito aos estudos relacionados à ciência da felicidade.

Uma autora importante no campo é a psicóloga a Carol Ryff. Que criou um dos primeiros modelos sistemáticos de “bem-estar psicológico” e esse continua sendo um dos mais robustos até hoje.

Felizmente, muitos destes estudos, tanto da ciência da felicidade quanto da psicologia positiva, apontam para formas específicas de pensar e agir que podem impactar fortemente nosso senso de felicidade e paz de espírito. As descobertas resultantes estão enriquecendo as práticas de aconselhamento, psicologia clínica, psiquiatria e coaching na vida.

Assim, a psicologia positiva é um dos movimentos relativamente mais recentes da ciência da psicologia que faz com que os seus seguidores – os profissionais que aplicam as técnicas e métodos da psicologia positiva – implementem sistemas nas suas próprias vidas e na vida de seus pacientes que proporcionam melhorias significativas em seus níveis de bem-estar.

Um dos fatores que diferencia a abordagem atual da psicologia positiva em relação às outras medidas que haviam sido tomadas na área anteriormente para tratar do ‘lado positivo da vida’ é que a sua abordagem é sistematicamente centrada no potencial do ser humano.

“A psicologia positiva lida de forma específica com as potencialidades dos seres humanos, quais são suas forças, suas capacidades, e o que há de benéfico em sua própria existência que pode ser utilizado para que sua vida seja significativamente melhor”.

Elementos e abordagem da psicologia positiva e da ciência da felicidade

A maioria das áreas da psicologia que se relacionam com questões acerca da felicidade dos seres humanos tem lidado com os fatores que provocam o mal-estar do ser humano – ou seja, se busca identificar e entender o que nós leva a doenças mentais e ao detrimento da sanidade. Já a psicologia positiva busca justamente identificar e entender o que proporciona e eleva tanto o bem-estar como a saúde mental e a sanidade dos indivíduos.

Dessa forma, a psicologia positiva aborda em sua atuação e aplicação os aspectos que são saudáveis acerca da vida humana – desenvolvendo seus estudos e análises acerca de todas as emoções e fatores positivos que são encontradas no espectro humano, por exemplo:

  • As emoções positivas
  • As experiências de prazer
  • Os relacionamentos positivos
  • As práticas espirituais
  • Etc.

Um dos estudiosos pioneiros da área – e considerado por muitos como o pai dessa abordagem – é Martin Seligman, como mencionado anteriormente.

Sua teoria acerca da psicologia positiva se dá de maneira a determinar que a felicidade que pode ser vivenciada pelos seres humanos não é relacionada diretamente nem depende de fatores externos como status social ou nossa religiosidade, nem de nossas condições físicas ou biológicas.

O modelo de bem-estar psicológico de Carol Ryff, concorda com essa visão. Ela afirma que bem-estar é multidimensional e não se trata apenas do sentimento de felicidade, ou de emoções positivas. Uma boa vida é equilibrada e completa, envolvendo cada um dos diferentes aspectos do bem-estar.

Ryff desenvolve este princípio com base da teoria da virtude de Aristóteles que diz resumidamente que uma vida bem vivida não é aquela onde alguém busca sempre se sentir bem o tempo todo, mas sim viver de forma virtuosa.

De forma geral, a origem da psicologia positiva se baseia no estudo de uma área que muito poucos estudiosos se aventuraram antes, que envolve os fatores positivos, saudáveis e benéficos da condição de vida dos seres humanos a partir de suas virtudes – com o objetivo da felicidade e do alcance do bem-estar ao longo da vida.

Martin descreve em seu livro Florescer, a sua teoria do bem-estar, que consiste em uma série de elementos que são utilizados para o desenvolvimento pessoal e a melhoria da vida a partir dos conceitos da psicologia positiva. Eis os elementos que constituem o bem-estar de acordo com Martin:

  • As emoções positivas – Consiste em descobrir quais são as emoções positivas que envolvem a experiência humana como indivíduo.
  • Engajamento ou fluxo, que envolve a ato de estar plenamente engajado com uma atividade que promove uma quantidade adequada de estímulo mental e emocional.
  • Relacionamentos – São os relacionamentos pessoais positivos que podem ser encontrados ao longo de toda a vida.
  • Significado e propósito – Envolvem a busca pelo sentido da vida, pelo propósito, o fator que faz a diferença e que motiva e traz prazer e paixão para a vida dos seres humanos como indivíduos.
  • Realização – Envolve o estabelecimento de metas e objetivos e o alcance dos mesmos.

Já as seis competências do bem-estar segundo Carol Ryff são:

  • Autoaceitação – que consiste em se ter apreço e uma atitude positiva em relação a si mesmo.
  • Crescimento pessoal – que consiste em ter um sentimento de desenvolvimento contínuo.
  • Propósito de vida – ter o sentimento de significado e valor na vida.
  • Relações positivas com os outros – que é ter relações calorosas, satisfatórias e confiantes com os outros.
  • Domínio ambiental – ter um senso de competência na gestão da sua vida diária.
  • Autonomia – ser autodeterminante e independente.

Perceba que existem pontos em comum entre as duas visões.

Clique no link para ler em detalhes a descrição das 6 características de pessoas verdadeiramente felizes, de acordo com Ryff.

4 formas de aplicar a ciência da felicidade e a psicologia positiva no seu cotidiano

Cada vez mais pessoas buscam por estratégias que possam melhorar suas vidas e tanto a psicologia positiva quando a ciência da felicidade trazem conhecimentos muito práticos que você pode aplicar na sua vida. A maioria dos conteúdos desse blog são baseados nos conhecimentos fornecidos por essas duas ciências.

Assim, a partir de todas as informações que você adquirir aqui, será possível que você passe a aplicar as técnicas e processos que envolvem a psicologia positiva em sua vida pessoal – sendo capaz de melhorar significativamente a sua qualidade de vida.

Abaixo, eu menciono algumas técnicas que você pode começar a implementar hoje!

Cultive emoções positivas

É preciso que você descubra quais são as coisas que fazem sentir emoções positivas – a felicidade não é um objetivo que deve ser perseguido, ela é uma consequências de um acumulo de experiência positivas como paz, amor, otimismo, alegria e surpresa. Essas são algumas das emoções humanas básicas.

Procure analisar quais emoções você sente nas suas atividades cotidianas, identifique as positivas e tente incorporar cada vez mais daquela atividade na sua rotina.

Aprenda uma técnica prática para aumentar o nível de gratidão na sua vida.

Viva o presente

Uma das coisas que mais dificulta o nosso bem-estar psicológico e emocional é a ansiedade. Estar ansioso é estar lembrando de coisas ruins do passado – ou seja, em coisas que já aconteceram e não podem ser mudadas – ou pensando no futuro e temendo tudo que pode vir a dar errado.

Ao fazer isso, negligenciamos o momento presente – que é, de fato, o único momento que realmente existe. Esquecemos de viver com as pessoas com quem amamos, de dar atenção para as coisas que realmente importam.

Por isso, desenvolva sua atenção ao momento presente. Esteja com sua mente no agora e se mantenha sempre consciente no que pode fazer para melhorar suas atitudes e a realidade que o cerca.

Aprenda a desenvolver sua atenção plena no momento presente e reduzir seu nível de ansiedade.

Encontre o seu propósito de vida

Uma das melhores maneiras de aumentar o seu bem-estar é encontrar quais são as coisas que te movem, que te dão paixão e prazer e que fazem com que você possa ser quem você realmente é.

A partir disso, você poderá buscar todos os dias por maneiras mais eficientes de conseguir alcançar seus objetivos e melhorar ainda mais sua vida, mas não se esqueça nunca de ser quem você é. Por isso, viva uma vida autentica!

Seu propósito é unicamente seu e pode ser encontrado de forma introspectiva, olhando para todas as áreas em sua vida para encontrar aquilo que te dá a paixão necessária para que você levante todos os dias da cama e vá atrás do que realmente quer para si.

Leia sobre os temas

Uma das melhores formas de mudar sua vida é mudando sua forma de pensar. Para isso nada melhor que a leitura. Aqui estão dois livros que eu recomento para você começar a pensar sobre a felicidade de forma diferente:

Felicidade autêntica: Usando a Nova Psicologia Positiva para a realização permanente de Martin E. P. Seligman

O Jeito Harvard de Ser Feliz de Shawn Achor

Amor 2.0 por Barbara Fredrickson

Espero que essas informações te sejam úteis!

Abraços, Beatriz

Beatriz Rustiguel da Silva

Professora, formada em comunicação social, especialista em Métodos e Técnicas de ensino e autora.

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