Julgamento: como você arruína sua própria felicidade e prejudica os seus relacionamentos

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Antes de mergulhar na nossa reflexão sobre o tema do artigo, eu quero pedir que você reflita sobre as seguintes perguntas:

  • Quando foi a última vez que você formou uma opinião a respeito de alguém antes de realmente conhecê-lo?
  • Você se lembra de momentos em que alguém o julgou antes de te conhecer?
  • Como você se sentiu quando foi julgado ou mal interpretado?
  • E como se sentiu quando percebeu que julgou ou mal interpretou alguém?

Se você é como eu, provavelmente sentiu uma série complexa de emoções com as perguntas acima. Todos nós temos algum tipo de experiência com os julgamentos.

Julgar é uma habilidade essencial para a sobrevivência da nossa espécie. Nós precisamos distinguir entre o bem e o mal, entre o certo e errado, entre o que é bom ou ruim, etc. Então, julgar é uma dessas atividades humanas involuntárias, e apesar dos nossos melhores esforços, todos nós julgamos os outros.

Os julgamentos são avaliações ou pressuposições a respeito das nossas percepções. Eles são baseadas na nossa mindset, experiências, preconceitos e valores. Assim, é claro que muitos julgamentos são corretos e benignos, mas outros podem ser errôneos e cancerosos.

Por isso, nós precisamos entender que existe uma diferença entre discernir um comportamento ou situação com bom senso e realizar um julgamento negativo e prejudicial a respeito de uma pessoa. Por exemplo, muitas vezes fazemos julgamentos precipitados baseado puramente na aparência de alguém, e isso pode levar a arrependimentos.

Julgamentos que se tornam em fofocas quando compartilhamos histórias sobre os outros sem ter o conhecimento completo dos fatos também são prejudiciais pois podem gerar impressões distorcidas e erros absurdos.

Julgamentos baseados em critérios superficiais, por sua vez, podem gerar situações embaraçosas. E julgamentos baseados em preconceitos a respeito de coisas como religião, raça e orientação sexual  podem ser altamente injustos e promover o ódio entre as pessoas.

Se você já sentiu que foi injusto com alguém ou que foi injustiçado pelo julgamento de outra pessoa, você tem alguma noção de quão prejudicial o julgamento pode ser. Então, nós precisamos entender porque julgamos e como enviar esses tipos errados de julgamentos. A questão é ter bom senso e boa vontade nas nossas avaliações.

Se você sente que precisa melhor sua atitude para se tornar alguém mais generoso, feliz e ter relacionamentos mais fortes, continue lendo o artigo.

Porque nós julgamos os outros

Vários fatores influenciam nossos pensamentos e comportamentos, e muitos deles estão fora de nossa consciência e controle. Avaliar pessoas e situações não podem ser evitado, mas nossa forma de julgar pode ser melhorada.

Os julgamentos podem ser sobre coisas insignificantes, como sobre o comportamento de um colega de trabalho que demorou muito tempo para almoçar ou conversou no telefone sobre temas pessoais durante o expediente. Ou, pode ser sobre questões maiores como, por exemplo, sobre o quão honesta, correta ou compentente é uma pessoa.

E nós secretamente julgamos a todos: amigos, conhecidos, parentes, colegas, e até pessoas aleatórias que nem ao menos conhecemos. É impossível conhecer alguém e não fazer algum julgamento sobre ele.

Nós inclusive julgamos a nós mesmos.

Mas, por que nós julgamos? Eis algumas das principais razões:

Nós tiramos conclusões precipitadas

Nós tendemos a atribuir certas características aos outros baseados em critérios superficiais. Esta é uma necessidade conveniente às vezes. Os esteriótipos existem para facilitar a nossa compreensão da realidade à nossa volta mesmo que eles sejam erroneos frequentemen

te. Deduzimos que alguém é amigável ou hostil, amável ou desagradável, cauteloso ou agressivo rapidamente. Isso pode ser muito útil à medida que navegamos o mundo que nos rodeia. Mas, existe sempre a possibilidade de erro.

Julgamos pelas aparências

Abaixo da superfície, as pessoas tendem a julgar os outros com base em seus próprios medos. Quando olhamos para alguém pela primeira vez, vemos um reflexo de nossas experiências e associações passadas. Pode ser a linguagem corporal, ou a maneira como eles se vestem e se comportam. É perspicaz estar ciente de como nosso passado pode afetar nossos pensamentos atuais sobre outra pessoa. Ser consciente de seus próprios sentimentos é um elemento essencial da inteligência emocional. Isso nos ajuda a identificar indícios de julgamentos falsos ou prematuros.

Por exemplo, pensar “Todos os taxistas de Nova York são mal educados!” é um julgamento que generaliza um grupo de pessoas e pode estar errado em alguns casos específicos, mas é algo em que eu acredito pela minha experiência pessoal com diversos taxistas que conheci por lá. Esse julgamento vai condicionar o meu comportamento e pode inclusive me fazer pensar e falar mal dos novaiorquinos. Esse seria um exemplo de julgamento injusto. Nem todos os taxistas e nem todos os novaiorquinos são mal educados.

Nós ignoramos às circunstâncias

Nós tendemos a atribuir nosso comportamento ao ambiente e às situações e o comportamento de outras pessoas ao seu caráter. É fácil julgar os outros com base em nossas observações imediatas. Em vez de dizer “a situação em que a pessoa passando está fazendo com que ele se comporte dessa maneira”, nós tendemos a pensar que eles são sempre assim. Ou seja, uma pessoa que te corta no trânsito pode estar passando por um dia ruim, mas nós deduzimos que ele simplesmente é sempre um mal educado no trânsito.

Julgamos para nos sentirmos melhores a respeito de nós mesmos

Nós julgamos as pessoas para nos sentirmos melhores. Se você está 100% feliz com quem você é, você é muito menos propenso a sentir a necessidade de julgar os outros. Se você se sente seguro, você não sentirá a necessidade de lançar um olhar negativo para os outros. Da mesma forma, você também julga porque sente que está sentado em um pedestal mais alto do que outros. Então, trata-se de uma questão de ego.

Julgamos para nos sentirmos aceitos

Julgar também se tornou uma atividade social. Como todos amam um pouco de fofoca, nós participamos para fazer parte do grupo. Quando você fala sobre outra pessoa, a maioria das pessoas irá participar com prazer. Não é atoa que as revistas e sites de fofoca sobre os famosos faz tanto sucesso.

Julgamos para esconder nossos próprios desejos

Uma forma comum de autoengano é o ato de censurar e desaprovar certas pessoas ou comportamentos para nos defender da noção de que parte de nós gosta ou aprecia o comportamento que condenamos. Julgar um casal que tem uma aventura sexual a 3 pode ser uma forma de negar a nossa própria vontade de participar de uma experiência como essa.

10 razões porque julgar faz mal para você e para os outros a sua volta

Os prejuízos de uma mente altamente crítica são diversos. Podem haver repercussões emocionais, profissionais e sociais para o hábito de julgar os outros ou às situações negativamente. Vejamos algumas das possíveis consequências:

Diminuí seus níveis de felicidade e bem-estar

Julgar cultiva o descontentamento em você mesmo e nos outros. Um dos sentimentos mais importantes para mantar a felicidade de alguém é o sentimento de gratidão. E, o sentimento de gratidão nasce da habilidade de enxergar coisas positivas na vida e nas pessoas a sua volta. O pensamento crítico, por sua vez, se atenta e se apega às coisas ruins e negativas, portanto, uma mente crítica e que julga os outros constantemente não consegue cultivar pensamentos e sentimentos positivos facilmente. Assim, julgar reduz os seus sentimentos positivos e aumenta os sentimentos negativos, afetando o funcionamento do cérebro. Sentimentos negativos, liberam hormônios do estresse e reduzem os hormônios do prazer e isso afeta os níveis de felicidade de quem julga.

Se torna um hábito, uma forma de pensar e sentir

Se você julgar as pessoas, mais cedo ou mais tarde, essa prática se transformará em um hábito, e você começará a julgar todos os que estão à sua volta até por coisas mais insignificantes. Sua mindset será prejudicada. Você julgará suas roupas, ações, maneirismos, eloquência, sucesso, ambição, valores, tudo. E você pode excluir do seu círculo até pessoas muito boas por causa desse mal hábito.

Prejudica o seu aprendizado e evolução

Julgar negativamente as situações e pessoas pode fechar a sua percepção para impedi-lo de receber mais informações e compreender a situação de um ponto de vista diferente. Além disso, julgar fortalece concepções ignorantes a respeito das pessoas e impede você de evoluir. Uma pessoa com uma mindset de crescimento entende que as situações e pessoas mudam e evoluem, e que os rótulos são prejudiciais.

Prejudica a sua imagem

Estudos sobre o tema revelaram que, se você julgar negativamente outras pessoas, você automaticamente também será visto negativamente pelas pessoas. Você vai atrair julgamento dos outros sobre você, quando for visto julgando os outros.

Os pesquisadores descobriram que a tendência de uma pessoa para descrever os outros em termos positivos é um indicador importante de sua própria personalidade. Eles descobriram associações particularmente fortes entre julgar positivamente os outros e quão entusiasmado, feliz, amável, cortês, emocionalmente estável e capaz, a pessoa é vista e descrita pelos outros a sua volta. Assim, enxergar nos outros coisas positivas revela os nossos próprios traços positivos.

“Quando você julga outro, você não os define, você se define”. Wayne Dye

Provoca a desconfiança das pessoas e enfraquece seus relacionamentos

Se você julgar ou aprovar julgamentos sobre outras pessoas na frente de um grupo, você perderá a confiança daquele grupo. Eles começarão a sentir que, se você pode julgar os outros na frente deles, você pode com certeza falar sobre eles pelas costas também. E ninguém quer fazer amizade com alguém assim. No ambiente de trabalho isso pode prejudicar sua capacidade de trabalhar colaborativamente e de liderar. Isso é um erro fatal para quem está em posição de liderança e pode afetar a performace e a mindset do seu grupo de trabalho.

Faz você se sentir pior a respeito de si mesmo

Se você está julgando os outros, provavelmente você também se julgará. Por exemplo, se eu julgo o que as outras pessoas estão vestindo, como consequência, eu vou me preocupar com o que eu estou vestindo. Isso traz um peso sobre o meu próprio comportamento. Além disso, quando você julga outros (ou, pelo menos, quando eu faço isso), você se sente mal depois. Você não se sente bem com você mesmo. Você pode se sentir bem na hora da fofoca, mas, em última análise, você se sente culpado.

Prejudica as outras pessoas

Uma crítica simples aqui ou ali parece algo inofensivo, não é? Se a pessoa nunca descobrir o que você disse, você está livre, certo? Não necessariamente. As coisas têm uma maneira de voltar e prejudicar as pessoas de maneiras inesperadas. A reputação de alguém é algo muito difícil de construir e muito fácil de destruir. Cuidado! Pense sobre o que você diz. Você diria isso diante da pessoa sobre quem está falando? Se não, provavelmente é melhor deixar de falar. A frase “Se não tem algo bom para dizer, melhor permanecer calado!” é um conselho muito sábio.

Perpetua estereótipos

Quanto mais julgamentos existem no mundo, mais estereótipos se formam. Assim, quando você julga você está fortalecendo um ideia muitas vezes irrealista sobre a pessoa. Pessoas não são simples, elas não devem ser encaixadas em grupos ou rotuladas de acordo com nossos julgamentos.

Se os estereótipos são baseados em raça, gênero, espiritualidade, etnia, aparência ou qualquer outro atributo, eles são más notícias. Eles forçam as pessoas (incluindo você!) a sentir como se houvesse padrões que devem ser alcançados em vez de viver uma vida livre e feliz. “Ele é gordo, então deve ser desleixado” ou “ela é loira, então deve ser burra” são alguns exemplos disso. Não faça parte da perpetuação de estereótipos com seus próprios julgamentos.

Espalha a negatividade no mundo

Não importa de que forma você anda justificando os seus julgamentos, eles não estão trazendo nada de bom ao mundo. Eles colocam os outros para baixo. O julgamento tornam o mundo um lugar mais infeliz, competitivo e deshumano.

Você pode imaginar se todos nós aceitássemos e amássemos uns aos outros? Você pode imaginar o que seria o mundo se tentássemos entender outras pessoas em vez de julgá-las?

Auto-análise

Você tem sido muito crítico? Tem sofrido com julgamentos errôneos?

Pare um pouco e reflita se você tem uma atitude correta em relação ao julgamento e como você se sente ou ser julgado.

Espero que o texto e que essa reflexão seja útil para te ajudar a mudar de comportamento e/ou superar alguma situação difícil que você passou ao ser julgado erroneamente por alguém.

Compartilhe suas experiências e insights conosco nos comentários abaixo. E se inscreva no nosso site para receber conteúdos exclusivos no seu email.

Abraços,

Beatriz Rustiguel

 

P.S.1: Leia o nosso outro artigo se você quer aprendar como ser menos crítico e como elimiar o julgamento da sua vida: CLICANDO AQUI

 

P.S.2: Eis um texto extra que eu acho fascinante sobre o ato de julgar os outros:

Sobre a loucura de julgar os outros

O ato de julgar alguém é um ato de orgulho. Envolve olhar para a nossa própria bagagem de conhecimento, juntar alguns fatos, figuras ou fantasias, e chegar a algum tipo de resposta ou solução para um determinado problema ou situação. E muitas vezes, é a solução ou resposta errada, e por causa do orgulho, nos recusamos a corrigir o curso.

Julgar os outros é um ato de orgulho monumental – orgulho enorme, orgulho estupendo, irritante, impressionante, orgulho fantástico. Isso deve ser entendido. Quando você faz julgamento sobre outro, você assumiu a responsabilidade incrível de fazer um julgamento correto e justo. Porque, no final das contas, seu julgamento não é necessário.

Tudo, grande e pequeno, convida o seu julgamento. A condição do tempo, questões políticas, o sabor da sua comida, um programa de televisão – a cada momento do dia, algo está convidando seu julgamento. E com tanta frequência, e de forma voluntária, você o julga, sem ter consciência das consequências, e sem cuidar das responsabilidades que isso implica.

Você julga, e então, para piorar as coisas, você acredita em seu julgamento. Você olhou para as evidências em mãos e você fez um julgamento – deve estar certo! Não poderia haver nenhuma outra conclusão correta, além daquela que você alcançou, poderia?

O que você não vê, não compreende, é que o seu julgamento leva ao sofrimento – seu próprio sofrimento. E as vezes ao sofrimento do outro. Mas, na maioria das vezes ele não afeta a pessoa julgada; Ele ou ela está livre de você e seus pensamentos e seus julgamentos. Você não pode mudar seu comportamento com o seu julgamento.

Original: Well

[Kit] Transformação de Mindset
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Beatriz Rustiguel da Silva

Beatriz Rustiguel, comunicadora, professora universitária, especialista em Resiliência e Gestão de Estresse pela University of Washington (UWashingtonX), colaboradora do projeto ProLÍDER da Universidade Santa Cecília, colunista no site ‘Eu sem fronteira’, consultora de comunicação para o Banco Interamericano de Desenvolvimento e fundadora do projeto Mentalidade de Crescimento.

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